sábado, 28 de abril de 2007

When You're Alone



When you're alone
(Quando você está só)

At night when I'm alone
(À noite quando eu estou só)
I lie awake and wonder

(Eu fico acordada e penso)
Which of them belongs to me

(Qual delas pertence à mim)
Which one I wonder?

And any star I choose
(E qualquer estrela que eu escolha)
Watches over me

(Cuida de mim)
So I know I'm not alone

(Assim eu sei que não estou só)
When I'm here on my own

(Quando estou aqui sozinha)
Isn't that a wonder?

(Não é uma maravilha?)

The stars are all my friends
(As estrelas são todas minhas amigas)
Till the night time ends

(Até a noite acabar)
So I know I'm not alone

(Assim eu sei que não estou só)
When I'm here on my own

(Quando fico aqui na minha)

Isn't that a wonder?
(Não é uma maravilha?)
When you're alone

(Quando você está só)
You're not alone

(Você nunca está sozinha)
Not really alone

(Não realmente sozinha)"

Meu pai é Peter Pan, você esperava o quê? :)

Clarice.

“As personagens não são seres excepcionais, antes são pessoas comuns, vivendo em um mundo, por assim dizer, mágico; mas de uma magia diferente, clariciana, feita de enigmas e perplexidades - uma magia nascida da exacerbação da palavra." *

Bem, pra quem não sabe, a moça Clarice está em exposição desde o último dia 24 no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. O Museu recém inaugurado, é famoso pelos recursos audio-visuais e interatividade com o público, com Clarice, não é diferente. O abre-alas da exposição é A Hora da Estrela, não pela excepcionalidade do livro, mas pelos personagens dele, verdadeiros Olímpicos e Macabéas que perambulam pela Praça da Luz todos os dias. Sim, uma ucraniana, popular por vocação. Só isso já faz dela excepcional.

Como ainda não fui até lá, não vou discorrer aqui sobre o que não vi, mas colocar aqui o primeiro texto que li de Clarice. Trata-se de um prefácio escrito pela autora que se passa pelo narrador do livro, Rodrigo S.M.

"DEDICATÓRIA DO AUTOR"
(Na verdade Clarice Lispector)

Pois que dedico esta coisa aí ao antigo Schumman e sua doce Clara que hoje são ossos, ai de nós. Dedico-me à cor rubra muito escarlate como meu sangue de homem em plena idade e portanto dedico-me ao meu sangua. Dedico-me sobretudo aos gnomos, anões, sílfides e ninfas que me habitam a vida. Dedico-me à saudade de minha antiga pobreza, quando tudo era mais sóbrio e digno e eu nunca havia comido lagosta. Dedico-me à tempestade de Beethoven. À vibração das cores neutras de Bach. A Chopin que me amolece os ossos. A Stravinsky que me espantou e com quem voei em fogo. À "Morte e Transfiguração", em que Richard Strauss me revela um destino? Sobretudo dedico-me às vésperas de hoje e a hoje, ao transparente véu de Debussy, a Marlos Nobre, a Prokofiev, a Carl Orff, a Schönberg, aos decafônicos, aos gritos rascantes dos eletrônicos - a todos esses que em mim atingiram zonas assustadoramente inesperadas, a todos esses profetas do presente que a mimme vaticinaram a mim mesmo a ponto de eu neste instante explodir em: eu. Esse eu que é vós pois não aguento ser apenas mim, preciso dos outros para me manter de pé, tão que sou, eu enviesado, enfim que é que há de fazer senão meditar para cair naquele vazio pleno que só se atinge com a meditação. Meditar não precisa ter resultados: a meditação pode ter como fim apenas ela mesma. Eu medito sem palavras e sobre o nada. O que me atrapalha a vida é escrever:
E - e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também.
Não se pode dar a prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.
Esta história acontece em estado de emergância e de calamidade pública. Trata-se de livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo ma dê. Vós? É uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amem para nós todos."


Na verdade, eu sinto saudade de Clarice. De saber como ela enxergaria o mundo hoje. Sou sedenta pelos aflitos com a palavra assim como aqueles que são aflitos também com o mundo.
Tenho sede de desespero, de inquietação. Mas quando ela me olha, sou uma lagoa. Sou para contemplação e inspiração dos aleijados de bom senso. Sou filha dos que ainda não cresceram. Sou uma experiência musical sem talento para música. Vós? Espero que encontre uma resposta para a morte dos que te tangiram a alma. E que acredite. Acredite, chorando.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Resposta

Tem pessoas que acontecem na nossa vida que são terremotos, outras são tsunamis, as perigosas são vulcões, as amenas são primaveras. Mas existem pessoas que são terremotos, tsunamis, vulcões e primaveras tudo junto. Essas pessoas exigem cuidado, por serem raras e modificarem outras pessoas. E existe uma pessoa que decifrou o meu texto do post anterior.

"a questao eh, nao de quem eh o texto, mas de onde ele foi tirado, foi tirado de uma carta que foi achada num muro de um campo de concentraçao na Alemanha, isso ocorreu após a 2ª guerra mundial, acho que ela foi escrita por alguém que sofreu com a falta de conexao entre os seres humanos...nao kero o doce, a maior recompensa eh ganhar o teu sorriso!"

Bom. Devo dizer que essa pessoa modificou a minha existência de inúmeras formas. Seja ouvindo poema de Neruda em um laptop na Anchieta, seja dançando Ella na minha sala, seja vendo The Wall, seja pulando com U2, seja tirando foto com a Janis Joplin cover (porque ela era perfeita), seja num pico no meio da Lapa sentados no tapete do meu carro, seja rindo horas pra decifrar uma música do Moby que é nossa, seja eu segurando seu rosto e pedindo pra sempre que você seja VOCÊ. Pra toda vida eu vou amar tudo isso. Não é propaganda de McDonalds que eu enfio no cu todo dia, é real. É você saber que uma pessoa existe no meio de tanta distância, mas está encravada no coração.

Você sabe quem você é.
Se não sabe, vou refrescar sua memória, porque é assim que eu me lembro de você.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Desmistificado.

As vezes eu morro de medo de respirar.

Tudo bem. Tem gente de 30 anos que não sabe quem foi George Orwell, não assistiu "Tempos Modernos", nunca escutou Chopin, nem assistiu "Laranja Mecânica, isso pode ter influenciado muito mais o mundo ocidental. Mas essa história de que o indivíduo oriental pensa mais na comunidade do que em si próprio está se revelando uma hipocrisia de proporções nem tão imperceptíveis, e juro que não estou falando só pelo ocorrido na Virginia Tech.

Eu sei que a maioria das empresas orientais nasceram de companhias familiares, sei que o funcionário de mais idade é mais valorizado nas empresas orientais, sei até que a maioria das línguas orientais não utiliza a primeira pessoa ao se dirigir a alguém; mas sei também que isso sáo só ideologias . Acontece que esta Gabriela estudou durante alguns meses com muitos orientais com menos de 28 anos e as frases que eu mais ouvia eram de uma falta de coletividade imensa, uma falta de tolerância com qualquer tipo de fraqueza natural do ser humano. Não me admira que o coreano jogado na cova dos leões fez o que fez. Não estou defendendo esse tipo de atitude, jamais gostei de terrorismo, o que está se propondo aqui é uma reavaliação de até que ponto é válido o clichê que coloca a sociedade oriental como suprema em questões humanitárias. Se um oriental com todas as pressões de sua cultura natal, não é capaz de viver entre ocidentais, isso é no mínimo questionável. E tenho dito!

"Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que ninguém deveria ter visto. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, são muitas as minhas suspeitas sobre a educação. Meu pedido é simples: ajudem seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis"

Quem adivinhar de onde eu tirei isso ganha um doce.
Preocupada com sua prole,como toda mãe zelosa,Gaby mandou papai Bowie ir fazer a famosa pergunta:Qual suas intenções para com a minha filha?
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Parece que os dois se deram bem,e o casório será liberado.Os pais corujas agoram estão mais descansados.

P.S.: Não,não é montagem.E putz,não consegui diminuir a imagem,então...desculpem.E sim a adoração por músicos é genética.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Chaves & Chapolin são o I-Ching da vida.


Tem que ser dito nesse blog que Chaves e Chapolin são o I-Ching da vida. Não acredita? Pergunta pra mim que o Chaves e o Chapolin respondem. E como diz a moreña pelas palavras do poeta diplomata "É melhor ser alegre que ser triste a alegria é a melhor coisa que existe"
: )

Uma Série de Eventos Infelizes

Eu ainda não falei de Bowie aqui, nem contei por que desse nome tão... inglês. O fato é que eu gostava tanto de Jim Carrey quando eu tinha 14 anos, que meu quarto tinha ele de papel de parede, o nome desse blog vem daí, mas eu conto depois.

Hoje eu sonhei que meu avô caiu da minha varanda. Ele me deu a mão e chorou, porque sabia que eu não tinha força pra puxar ele de volta. É como diz uma nina por aí: Freud é tão óbvio. Por diversas vezes eu me senti assim ao longo desses 3 últimos anos, com pessoas diferentes, sempre me dando a mão e eu deixando elas caírem. Isso cansa. Cansa também aquelas pessoas que insistem em ser o que não são. Mesmo quando tudo vai a merda, a máscara não cai. Se eu deixei alguém cair e machucou, perdão, mas eu simplesmente não tive força pra te puxar de volta. Agora o jogo está mudando e eu já consigo reconhecer alguma coisa ruim quando ela insiste em continuar ruim.

Eu ouço Cartola, eu ainda amo Jim Carrey, eu adoro dar risada e amar a vida. Eu sonho. Eu não guardo rancor. Eu ainda tenho aquele coturno, ainda quero ver Labirinto na casa dele. Eu estou lendo Allen Ginsberg. Eu me divirto no meu trabalho. Eu dou risada de quem ainda quer que corda arrebente. Eu não tenho medo de ser idiota às vezes. Eu vou continuar catando pedrinhas até cansar. Eu não vou parar de torcer pro São Paulo. Eu ainda amo "também".

domingo, 22 de abril de 2007

epifania
[Do lat. epiphania epipháneia.]
Substantivo feminino
Rel.
1.
Aparição ou manifestação divina.
2.
Festividade religiosa com que se celebra essa aparição.
3.
V. dia de Reis. [V. ano litúrgico. Cf. Epifânia, antr. f.]


Desde o dia que ouvi essa palavra numa aula de literatura,daquelas bem vagabundas em que você só pensa em dormir,eu ansiava por uam epifania em minhavida.Aquele momento que você descobre alguma verdade essencial.
Depois de passar a madrugada assistindo "V for Vendetta",e ter acordado cedo porque o estomâgo chamava,eu fiquei perambulando pela cozinha sem rumo nenhum,e resolvi catar feijão.Um gesto comum e rotineiro se não fosse apenas 8 da manhã.
E enquanto eu separava as pedras,e os grãos estragados de repente eu pensei: Todos nós somos feijões.
O possível leitor pode se perguntar "como assim? eu não sou um feijão!".Mas a verdade ´q eu sim você é um feijão.Se eu vou ter uma explicação lógica para explicar a afirmação isso sim é uma outra estória.
Mas pense,você é apenas um feijão a espera de seu destino.Não importa se você foi plantado numa horta,ou num copinho de plástico num algodão úmido.Todos somos feijões.E só estamos esperando nosso fim,se vamos ser catados e jogados fora como um lixo qualquer,julgados pela mão de um catador qualquer que simplesmente pode decidir se prestamos ou não.
Ou às vezes esperamos um final digno: parar num prato e ir parar no estomago de alguém...ir para o céu.

Talvez eu não tenha tido uma epifania coisa nenhuma,talvez eu sót enha ficado sem dormir,e esteja numa éspecia de ressaca.mas o pior é que parece que as coisas fazem mais sentido pra mim.
Estranhamente...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

E agora, José?



Amanhã não tem feira...

(ou, "E Agora, José?")

A verdade é que eu nunca vou esquecer o dia 20 de abril.Eu explico. O fato é que mesmo que você se decepcione profundamente com alguém que você amou por longos anos, no fundo (de dentro) você sabe que um amor de verdade nunca dá lugar ao ódio. É simplesmente impossível esquecer a existência de algumas pessoas na nossa vida. E insistir dizendo isso é falta de maturidade, mas calma lá, tem pessoas que pedem um cartão vermelho ininterruptamente, mesmo no dia do próprio aniversário.

Os dias 20 de abril eram sempre uma comemoração aqui em casa, mesmo que distantes (eu e ele), os amigos me ligavam para me lembrar o aniversário dele. Amanhã vai ser diferente. Depois de 10 anos, amanhã vai ser só mais uma sexta-feira e vai pertencer só a mim. Talvez eu só saia por aí gastando meu salário sozinha, comprando um vinho qualquer pra comemorar o MEU dia 20 de abril de 2007.

Vou me desvencilhar de você, me perdôe, mas eu não posso morrer. Não ainda. Por que eu aprendi que a felicidade é simples desde cedo, junto com uma coisa que ainda vai te fazer beber muita pinga (e isso serve não só para ex-namorados desquilibrados, como para ex-namoradas ciumentas):

"O seu amor
Ame-o e deixe-o livre para amar
O seu amor
Ame-o e deixe-o ir aonde quiser
O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz
O seu amor
Ame-o e deixe-o ser o que ele é"

(Doces Bárbaros)
.
.
Percebe?

Bem a Gaby me convocou para ser correspondente de seu blog e aqui estou eu,sem saber o que eu devo escrever.Mas eu sei que ela me chamou após ouvir o incrível relato de um de meus inúmeros sonhos bizarros.
estava eu no meio da Revolução francesa portando uma machadinha,quando gritaram algo em francês claro,e uma orda correu em direção a Bastilha.De repente lá estava eu com uma machadinha detonando o monumento e cantando o hinoda França,o que é bem estranho se levarmos em consideração o fato que eu não falo francês e nem sei a letra da Marselhesa.
mas foi empolgante,e acordei aos prantos.
Fui procurar saber o significado do meu sonho e a resposta mais sensata que obtive foi:seu subconsciente tem uma queda pelo Robespierre.
E mais tarde me peguei no Google procurando fotos do meu "amado"...

Calículas.

De que valem-me todos os santos?
Valem-me todos encantos
Valem-me todos os mantos
Vale tua fé e teus santos
De que valem-me todos espantos?
Valem tua fé e teus tantos
Que certifiquem os santos
Que se estoporem os tontos
Cometam os mesmos atos
Que já me fez todos os santos
Tanto que polui o pranto
Em torno das leis desse canto

Onde que tudo se aperta
Não dá pra ajeitar
Nem trocar de lugar
Crentes que a fome está certa
Uma porta aberta para aliviar

Depois cobrar uma vida
Rasgar a ferida pro pranto curar
Honra de mãe depravada
Criatura aleijada
Que não soube gerar
Um ventre já tão caleijado
Expelindo um bastardo
Ocupando um lugar
Aumenta mais um desgraçado
Orgasmatizado de tanto roçar

Nas juras gravam ironismo
Será-te um abismo pra não se enfiar?
Dois corpos vazando películas
Gemedeiras ridículas
Soma de costumes
Que deixam calículas

Já sangrei minhas mãos
De dar socos no ar
Estorei o meu peito
De tanto gritar
Deceparam a língua do povo
Que agora vem por detrás do pilar
E sustenta a justiça que vem nos tragar

Calejei a visão de tanto observar
Podridão nas bandeiras que vêm adornar
E o delírio dos pés que parecem pisar
Em uma nuvem bonita que esconde a face
Da terra fedida de tanto sangrar

Calículas.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Essa é Dele.

me gusta quando te calas,
busco sempre responder-te
com o mesmo silêncio.
de quem pede para ser decifrado
mas não espera a resposta do enigma.
esfinge sem fingir.
segue petrificando meus olhares,
entorpecendo meus sentidos
a espreita do acaso.
perdida em olhos
de tigre ou de poeta,
questionando se solitário
mas sabendo que nunca só.
me encontro sempre parada
nas portas abertas da sua percepção.
permito que elas mostrem o caminho
entre todos os sonhos
da minha madrugada
e sinto em cada poro
da minha pele o seu calor.

Don't You Think The Joker Laughs At You?

Eu sou tão ridícula. Faz alguns meses que eu estou morando sozinha em casa. Não sou de muita exigência, mas outro dia eu estava com muito frio e resolvi pegar aquele cobertor mais quente que ficaca na área de serviço da minha casa. Percebi que o piso estava encharcado porque a máquina de lavar vazou. Molhei o pé peguei o cobertor e voltei pra sala pensando "amanhã essa porra vai secar". Voltei pra sala e fiquei durante uns 30 minutos vendo filme, conversando pelo computador e ouvindo música. Uma daquelas coisas que eu acho que preciso fazer é ter a TV ligada quando estou no PC, como se a qualquer momento fosse entrar a música do plantão urgente da Globo e a notícia que o macaco Bush foi assassinado. Mas não foi bem isso que aconteceu. Eu senti fome ao invés de contentação. Voltei na cozinha e vi que tinha um envelope na porta de serviço, fui até lá com passos normais, mas firmes demais pro chão molhado. Caí de bunda no chão e bati o cotovelo, pensei nos hematomas de amanhã. Olhei para a parede e comecei a rir muito. Botei a mão na cabeça e perguntei pra Deus: "Você está tirando uma com a minha cara?", afinal o relógio marcava 2:30 da manhã e eu não tinha colocado uma gota de álcool na boca. Me levantei, pensando que a minha bunda era pequena demais e não tinha enxaguado o chão inteiramente e que a faxineira que a minha mãe pediu pra que mantivesse a casa limpa (é grande demais pra mim) ia chegar naquela manhã. Peguei os panos que eu vi pela frente e esfreguei o chão, pensando que o pior que poderia acontecer era a mulher cair e bater a cabeça no chão, mas não foi bem isso. Levantei de novo e olhei para o chão. Que porra é essa. Acabei de cair de bunda porque tive preguiça de secar o chão da primeira vez. Comecei a rir de novo e com o chão seco, voltei pra sala. Vi uma mensagem que meu deu vontade de ouvir Aimée Mann. A música dizia “wise up”, e eu percebi, que não importa quantas vezes eu adiar alguma coisa nessa vida, eu vou sempre cair de bunda pra aprender que certas coisas, por mais simples que sejam, são fáceis de serem resolvidas e só depende de mim desamarrar os laços de covardia que se formaram na minha vida durante esses 3 anos. É até engraçado pensar que ontem mesmo eu escrevi um texto sobre Chaplin caindo de bunda sobre patins. Meu corpo vai ficar roxo e isso vai servir pra eu me lembrar que vou continuar caindo de bunda até que eu seque o chão com cuidado para que a próxima pessoa possa ver do que eu sou feita de verdade. Quando eu caio de bunda eu acredito em Deus. Cortei meu dedo nesse tombo, minha bunda vai ficar roxa por uns 4 dias. Já tive meu carro roubado e também vi Deus ali. Já presenciei um milagre e vi Deus ali. Mas quando eu caio de bunda às 2:30 da manhã, parece que Deus está falando só pra mim.