sábado, 26 de maio de 2007

Para não deixar muito tempo sem postar...
Minha nova paixão e a velha paxião da Gaby.
David Bowie & Arcade Fire - Wake Up
Uma daquelas músicas que te pegam pelos calcanhares...que você chora e sem saber o porque...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Depois de tanto tempo sem escrever cá estou eu de novo.Epifanias de novo em momentos inusitados.Estava tomando banho,coisa de pisciano (que por sinal não acredita em signos) ficar debaixo do chuveiro pensando na vida,por mais tempo do que é ecologicamente correto com certeza.
Então eu vi uma pequena formiga lutando contra a onda formada pela água que caía do meu chuveiro.Caramba!Ser formiga é uma merda!essa é a minha conclusão.Imagine você,que ninguém liga para as formigas,exceto os tamanduás e alguns poucos pesquisadores malucos.Você nunca é visto,corre o risco de morrer esmagado todo santo dia,pode morrer numa tsunami por causa de uma garota que deixou o chuveiro ligado durante muito tempo...E morrer afogado com espuma de xampu deve ser horrendo!
Como se não bastasse isso tudo,você não tem perspectiva na sua carreira.Possibilidade de ascensão social?ZERO!ou você nasce rainha ou você será operário pro resto da vida.E ainda te culpam por comer açúcar,coisa que nem é verdade...

Sua vida está horrível?Seu chefe te enche?O amor da sua vida te deu um pé daqueles na bunda?Voc~e tá devendo até sua alma?Relaxa e pense feliz:Pelo menos eu não sou uma formiga...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Sonho . Não .

Às vezes me ocorre o tempo. Pra mim o tempo só é consciente quando eu me atraso, ou quando passo tempo demais fazendo uma coisa só. Aconteceu comigo de parar no tempo uma vez, quando eu tive na minha memória lembranças fixas de uma pessoa que podia ser muitas outras repercussões na minha cabeça. Quando você é jovem, a sua mente é um livro aberto – já diziam os Beatles. Mas ainda não encontrei uma música que explique o fato de você guardar alguém que está na sua vida no sótão e recorrer à isso como se fosse o passado e não o futuro. Outro dia eu estava falando com uma amiga que sonhou comigo e a minha prima. Ela não conhece minha prima. Não fisicamente.




“Tive um sonho nesta manhã do dia 09 de maio de 2007, quarta-feira, que pelo o que eu lembro foi mais ou menos assim...
Estava em um lugar tipo um carro com os vidros fechados, uma janela de algum prédio ou mesmo uma guarita, mas que ficava exatamente ‘dentro’ do parque. Um parque repleto de flores amarelas e um banco de madeira lilás.
Gabi e Marininha estavam sentadas neste banco conversando. Era no meio da tarde e pessoas passavam por ali. Até que uma delas parou em frente as duas e perguntou as horas. Marininha então respondeu as horas em inglês.
Não me recordo o sexo da pessoa que perguntou e nem as horas exatas, só sei que eu me senti muito bem e ‘leve’ ao ver aquela cena, mesmo não estando ali do lado!!! Mas, o mais estranho foi que mesmo em um local fechado em meio a tanta coisa bela aos ‘olhos’ eu ouvi uma voz que eu nunca ouvi antes, e em inglês!”



Durante muito tempo, minha avó me disse: “Você não se encontra nesse mundo porque a sua alma está dividida entre a sua percepção universal e os objetivos materiais que você sabe que poderia conseguir”. Quando ela me disse isso eu pensei na minha prima que está perdendo uma visão pra conseguir encontrar outra. E esse sonho recaiu minhas entranhas no tempo, o mesmo tempo que eu deixei de participar da vida dela e mostrar o universo que ela não tinha conhecimento, todas as coisas que eu podia ter dito pra ela, sem que ela entendesse tão tristemente. Se ela me perguntasse as horas agora, eu diria que elas estão chegando e que o tempo nunca é suficiente pra quantificar a nossa vontade. Estou cruzando 8 mil quilômetros pra dizer isso. Pode não ser o suficiente. Mas eu vou saber que se alguém sonhar com a minha prima e eu, a pergunta vai mudar. Marininha vai estar perguntando as horas e eu vou responder: "Agora".

sábado, 28 de abril de 2007

When You're Alone



When you're alone
(Quando você está só)

At night when I'm alone
(À noite quando eu estou só)
I lie awake and wonder

(Eu fico acordada e penso)
Which of them belongs to me

(Qual delas pertence à mim)
Which one I wonder?

And any star I choose
(E qualquer estrela que eu escolha)
Watches over me

(Cuida de mim)
So I know I'm not alone

(Assim eu sei que não estou só)
When I'm here on my own

(Quando estou aqui sozinha)
Isn't that a wonder?

(Não é uma maravilha?)

The stars are all my friends
(As estrelas são todas minhas amigas)
Till the night time ends

(Até a noite acabar)
So I know I'm not alone

(Assim eu sei que não estou só)
When I'm here on my own

(Quando fico aqui na minha)

Isn't that a wonder?
(Não é uma maravilha?)
When you're alone

(Quando você está só)
You're not alone

(Você nunca está sozinha)
Not really alone

(Não realmente sozinha)"

Meu pai é Peter Pan, você esperava o quê? :)

Clarice.

“As personagens não são seres excepcionais, antes são pessoas comuns, vivendo em um mundo, por assim dizer, mágico; mas de uma magia diferente, clariciana, feita de enigmas e perplexidades - uma magia nascida da exacerbação da palavra." *

Bem, pra quem não sabe, a moça Clarice está em exposição desde o último dia 24 no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. O Museu recém inaugurado, é famoso pelos recursos audio-visuais e interatividade com o público, com Clarice, não é diferente. O abre-alas da exposição é A Hora da Estrela, não pela excepcionalidade do livro, mas pelos personagens dele, verdadeiros Olímpicos e Macabéas que perambulam pela Praça da Luz todos os dias. Sim, uma ucraniana, popular por vocação. Só isso já faz dela excepcional.

Como ainda não fui até lá, não vou discorrer aqui sobre o que não vi, mas colocar aqui o primeiro texto que li de Clarice. Trata-se de um prefácio escrito pela autora que se passa pelo narrador do livro, Rodrigo S.M.

"DEDICATÓRIA DO AUTOR"
(Na verdade Clarice Lispector)

Pois que dedico esta coisa aí ao antigo Schumman e sua doce Clara que hoje são ossos, ai de nós. Dedico-me à cor rubra muito escarlate como meu sangue de homem em plena idade e portanto dedico-me ao meu sangua. Dedico-me sobretudo aos gnomos, anões, sílfides e ninfas que me habitam a vida. Dedico-me à saudade de minha antiga pobreza, quando tudo era mais sóbrio e digno e eu nunca havia comido lagosta. Dedico-me à tempestade de Beethoven. À vibração das cores neutras de Bach. A Chopin que me amolece os ossos. A Stravinsky que me espantou e com quem voei em fogo. À "Morte e Transfiguração", em que Richard Strauss me revela um destino? Sobretudo dedico-me às vésperas de hoje e a hoje, ao transparente véu de Debussy, a Marlos Nobre, a Prokofiev, a Carl Orff, a Schönberg, aos decafônicos, aos gritos rascantes dos eletrônicos - a todos esses que em mim atingiram zonas assustadoramente inesperadas, a todos esses profetas do presente que a mimme vaticinaram a mim mesmo a ponto de eu neste instante explodir em: eu. Esse eu que é vós pois não aguento ser apenas mim, preciso dos outros para me manter de pé, tão que sou, eu enviesado, enfim que é que há de fazer senão meditar para cair naquele vazio pleno que só se atinge com a meditação. Meditar não precisa ter resultados: a meditação pode ter como fim apenas ela mesma. Eu medito sem palavras e sobre o nada. O que me atrapalha a vida é escrever:
E - e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também.
Não se pode dar a prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.
Esta história acontece em estado de emergância e de calamidade pública. Trata-se de livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo ma dê. Vós? É uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amem para nós todos."


Na verdade, eu sinto saudade de Clarice. De saber como ela enxergaria o mundo hoje. Sou sedenta pelos aflitos com a palavra assim como aqueles que são aflitos também com o mundo.
Tenho sede de desespero, de inquietação. Mas quando ela me olha, sou uma lagoa. Sou para contemplação e inspiração dos aleijados de bom senso. Sou filha dos que ainda não cresceram. Sou uma experiência musical sem talento para música. Vós? Espero que encontre uma resposta para a morte dos que te tangiram a alma. E que acredite. Acredite, chorando.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Resposta

Tem pessoas que acontecem na nossa vida que são terremotos, outras são tsunamis, as perigosas são vulcões, as amenas são primaveras. Mas existem pessoas que são terremotos, tsunamis, vulcões e primaveras tudo junto. Essas pessoas exigem cuidado, por serem raras e modificarem outras pessoas. E existe uma pessoa que decifrou o meu texto do post anterior.

"a questao eh, nao de quem eh o texto, mas de onde ele foi tirado, foi tirado de uma carta que foi achada num muro de um campo de concentraçao na Alemanha, isso ocorreu após a 2ª guerra mundial, acho que ela foi escrita por alguém que sofreu com a falta de conexao entre os seres humanos...nao kero o doce, a maior recompensa eh ganhar o teu sorriso!"

Bom. Devo dizer que essa pessoa modificou a minha existência de inúmeras formas. Seja ouvindo poema de Neruda em um laptop na Anchieta, seja dançando Ella na minha sala, seja vendo The Wall, seja pulando com U2, seja tirando foto com a Janis Joplin cover (porque ela era perfeita), seja num pico no meio da Lapa sentados no tapete do meu carro, seja rindo horas pra decifrar uma música do Moby que é nossa, seja eu segurando seu rosto e pedindo pra sempre que você seja VOCÊ. Pra toda vida eu vou amar tudo isso. Não é propaganda de McDonalds que eu enfio no cu todo dia, é real. É você saber que uma pessoa existe no meio de tanta distância, mas está encravada no coração.

Você sabe quem você é.
Se não sabe, vou refrescar sua memória, porque é assim que eu me lembro de você.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Desmistificado.

As vezes eu morro de medo de respirar.

Tudo bem. Tem gente de 30 anos que não sabe quem foi George Orwell, não assistiu "Tempos Modernos", nunca escutou Chopin, nem assistiu "Laranja Mecânica, isso pode ter influenciado muito mais o mundo ocidental. Mas essa história de que o indivíduo oriental pensa mais na comunidade do que em si próprio está se revelando uma hipocrisia de proporções nem tão imperceptíveis, e juro que não estou falando só pelo ocorrido na Virginia Tech.

Eu sei que a maioria das empresas orientais nasceram de companhias familiares, sei que o funcionário de mais idade é mais valorizado nas empresas orientais, sei até que a maioria das línguas orientais não utiliza a primeira pessoa ao se dirigir a alguém; mas sei também que isso sáo só ideologias . Acontece que esta Gabriela estudou durante alguns meses com muitos orientais com menos de 28 anos e as frases que eu mais ouvia eram de uma falta de coletividade imensa, uma falta de tolerância com qualquer tipo de fraqueza natural do ser humano. Não me admira que o coreano jogado na cova dos leões fez o que fez. Não estou defendendo esse tipo de atitude, jamais gostei de terrorismo, o que está se propondo aqui é uma reavaliação de até que ponto é válido o clichê que coloca a sociedade oriental como suprema em questões humanitárias. Se um oriental com todas as pressões de sua cultura natal, não é capaz de viver entre ocidentais, isso é no mínimo questionável. E tenho dito!

"Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que ninguém deveria ter visto. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, são muitas as minhas suspeitas sobre a educação. Meu pedido é simples: ajudem seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis"

Quem adivinhar de onde eu tirei isso ganha um doce.